Vamos até Belém e vejamos os
acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer. Lc. 2:15. A história que
aconteceu aos pastores solitários é um relato tipo antes e depois.Podemos nos
identificar com o antes e precisamos participar do depois; porém, é no
entremeio a experiência que muda tudo. O “antes” é um quadro da vida como a
conhecemos. É o seu retrato e também o meu. Imagine o cenário; coloque-se nele.
Ao tentar nos colocar no lugar daqueles pastores, de súbito percebemos que
estamos no nosso próprio lugar. Como os pastores, vivemos em dois mundo: o
mundo exterior cheio de ódio, conflitos e tensões internacionais, e o mundo
interior de lutas pessoais. Entre em contato com seus sentimentos. Todos nós
trememos diante da perspectiva do que o futuro nos reserva. Ninguém está livre
de situações difíceis e gente impossível. E no nosso interior encontram-se as
esperanças e as mágoas, os
desapontamentos e os desânimos, os temores e as frustrações.
Acima de tudo, sentimos-nos sós; se algo
deve ser feito, devemos faze-lo sozinhos, e a maior parte do que precisa ser
feito pode ser que jamais mude as coisas. As esperanças e temores dos anos
todos são nossos à medida que nos unimos àqueles pastores no campo, à luz das
estrelas. Silêncio. Ovelhas adormecidas. Uma fogueira que se apaga. Estamos
prestes a ter uma experiência que muda tudo!De repente, perfurando o silêncio,
um som magnífico desfaz os temores, e um esplendor glorioso torna a noite como
o dia. Não é de admirar que os pastores se encham de temor, olhando e ouvindo
com espanto. Ouça as palavras dos anjos, como da primeira vez: “Não temais: eis
que vos trago a boa nova de grande alegria, que será para todo o povo: é que
hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isso
vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada numa
manjedoura.” Caia sobre seus joelhos do seu coração à medida que hostes
celestiais juntam-se aos anjos, cantando as palavras mais cheias de amor e
esperança jamais entoadas: “Glória à Deus nas alturas, e paz terra entre os
homens, a que Ele quer bem.” Tudo em nosso íntimo deseja gritar: “Vamos!” Mal
podemos esperar para ver por nós mesmos. Nossos pés não nos podem levar rápido
o suficiente. Pensamentos do que ouvimos emaranham-se em nossa mente. “O
Salvador. O Messias. Nasceu hoje. Por que nós, dentre todo mundo, fomos os que
recebemos as novas? Uma manjedoura? Deve ser a caverna do gado perto da
hospedaria de Belém. Que lugar para o Messias! Por que não o Templo, ou um
palácio, ou pelo menos um quarto na hospedaria?”Detemo-nos de súbito ao chegar à caverna na encosta do morro. Profunda reverência agarra-nos o coração. Entramos. Os olhos de Maria, cheios de amor, acenam para que cheguemos mais perto da manjedoura. Com prazer inexprimível ela afasta o rústico cobertor. Será possível? O Filho de Deus está dormindo na gamela usada para alimentar o gado? Emanuel, Deus conosco! Nosso coração começa cantar; nada é impossível agora. Deus desceu à terra!O quadro do “depois” na vida dos pastores tem contraste enorme. Não se puderam conter. Tiveram de contar a todo mundo. Uma paráfrase de Lucas2:20. ressalta a transição triunfante: “Os pastores voltaram para o trabalho como gente diferente por causa do que tinham visto e ouvido.” Deram glória e louvor à Deus. Foi essa a diferença. Glória significa manifestação de louvor e adoração sem reservas. Agora os pastores manifestavam a Deus no modo de viver, e a vida toda estava viva novamente com gratidão pela presença divina no seu mundo. É o que acontece depois do Natal que faz toda à diferença. Em poucas horas nós também voltaremos ao trabalho, voltaremos aos velhos relacionamentos e responsabilidades pressionantes, voltaremos ao nosso mundo conturbado, voltaremos as frustrações de problemas por demais familiares. Mas se ousarmos aceitar a dádiva que a tudo muda, o amor, a alegria, e a paz de Cristo, podemos retornar pessoas diferentes por causa do que temos visto e ouvido, aceitado e experimentado. Por causa do dia de Natal, nada será o mesmo novamente.
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