Num campo de batalha, foi achado este
poema no bolso de um soldado, não identificado. O rapaz fora estraçalhado por
uma granada. Em sua roupa restava apenas, a folha de versos intacta.
“ Escuta Deus, jamais falei contigo.
Hoje quero saudar-te, bom dia!
Sabe?Disseram que Tu não existes e eu
tolo acreditei que era verdade. Nunca havia reparado nas tuas obras, ontem à
noite na trincheira rasgada por granadas, vi teu céu estrelado e compreendi
então que me enganaram.
Não sei se apertarás a minha mão. Vou te
explicar e vais compreender: É engraçado neste inferno hediondo achei a luz
para enxergar Teu Rosto.
Dito isso, já não tenho muita coisa a te
contar, só que... que... tenho muito prazer em te conhecer.
Faremos um ataque à meia-noite, não sinto
medo. Deus sei que Tu velas...
Ah! É o clarim! Bom Deus, devo ir, gostei
de Ti, vou ter saudades, quer dizer será uma luta cruenta e pode ser que eu vá
bater à tua porta esta noite. Muito amigos não fomos, é verdade...
Sim, estou chorando! Vês, Deus, penso
que já não sou tão mau.
Bem, Deus tenho que ir agora. Sorte é
coisa rara, juro porém, já não receio a morte...”
Defrontando a morte no campo de batalha,
o soldado voltou seu pensamento para Deus, eliminou o temor da morte, e
encontrou a paz. A vida pode encerrar-se de uma maneira inesperada, é bom ter
paz desde agora. Disse Jesus: Dou-vos a paz, a minha paz vos dou. Você é amigo
de Deus?
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