domingo, 16 de novembro de 2014

Trombeta Desafinada

Quando, pois, deres esmolas, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Mt.6:2.
“Não toque a sua própria trombeta” é um dito muito familiar. Significa: não chame a atenção para si mesmo, para suas ações, suas realizações. Todos nós temos inventado meios sutis de informar aos outros sobre quem conhecemos, o que temos feito e onde estivemos. Durante as conversas, apresentamos nomes, mencionamos lugares e posses.
Jesus usa uma imagem metafórica: “Quando deres esmolas, não toques trombeta diante de ti”. Era costume usar uma trombeta para convocar as pessoas para o culto e anunciar as horas da oração. Jesus possuía senso de humor. Seus ouvintes podiam fazer um quadro metal do indivíduo a caminho do templo para dar esmolas e à sua frente um tocador de trombeta anunciando a todos que ele ia ser piedosamente generoso. Jesus se preocupava com a ostensiva doação de esmolas. A figura atinge o âmago da questão.
Dar esmolas era uma das tarefas mais sagradas do judeu piedoso, tanto assim que a mesma palavra significa justiça. “Esmolas” quer dizer boas obras ou atos de caridade. Está intimamente relacionado com a justiça e misericórdia de Deus.

A ostentação, porém, provê o nascimento ilegítimo da coisa certa pelo motivo errado. Jesus se preocupava com o motivo. Ele sabia que nosso verdadeiro motivo para a beneficência podia ser exposto, purificado e curado somente se déssemos sem procurar recompensa. Quando nosso único motivo para dar é o amor de Cristo, então o próprio dar já é recompensa. Quem é que precisa mais que isso? Em resumo toda nota tocada por nossa própria trombeta sai desafinada.

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